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Musculação para Hipertensos

15 de fevereiro de 2017 por Fernanda Andrade

Os mecanismos de atuação parecem ser o alívio do estresse emocional, melhora do funcionamento cardíaco e vascular

Musculação para Hipertensos

Os exercícios com pesos, a musculação, no passado foram visto com maus olhos, opiniões desfavoráveis com relação os seus efeitos à saúde. Em recentes estudos sobre  a atividade física e saúde, o National Institutes of Health e o Centers for Disease Control and Prevention, órgãos do governo norte-americano, concluíram que todos os tipos de exercícios parecem ter o mesmo efeito benéfico para saúde geral e do  coração. Segundo GUEDES (1998), estas conclusões estão solidamente fundamentadas em critérios epidemiológicos clássicos como consistência, força, seqüência temporal, dose resposta e coerência. a ação benéfica dos exercícios das exercícios para a saúde cardiovascular não parece ser relacionada com maior vascularização cardíaca, como todos imaginam. Os mecanismos de atuação parecem ser o alívio do estresse emocional, o combate à obesidade pelo maior gasto calórico  e pelo aumento da taxa metabólica basal, redução da sensibilidade dos vasos à ação das catecolaminas, aumento dos níveis de HDL-colesterol, a redução dos níveis séricos de triglicerídeos, o estímulo à fibrinólise e a redução da agregação plaquetária.

O que devemos é  evitar a isômetria em apnéia e a carga deve ser aumentada progressivamente, para que não ocorra uma sobrecarga cardiorrespiratória. Com relação à segurança cardiovascular, quando bem realizados, os exercícios com pesos apresentam baixo risco de acidentes vasculares cerebrais e coronarianos. A eficiência do treinamento exige pesos relativamente elevados, que permitem poucas repetições, mas desde que não se façam esforços absolutamente máximos, que tendem para a isômetria em apnéia, a pressão aumenta em níveis seguros. Com os intervalos de descanso entre as séries sendo relativamente longos, geralmente acima de um a dois minutos, a frequência cardíaca aumenta muito pouco. assim sendo, o duplo-produto dos exercícios com pesos é baixo, já tendo sido demonstrado que o caminhar rápido em plano levemente inclinado apresenta estresse cardiocirculatório maior do que o treinamento com pesos para hipertrofia muscular com 75% de carga máxima.

 

ASPECTOS RELEVANTES DO EXERCÍCIO FÍSICO NA HIPERTENSÃO ARTERIAL

 

A mais recente publicação do Colégio Americano de Medicina Esportiva, sobre diretrizes para prescrição de exercícios, recomenda-os como parte da estratégia terapêutica para indivíduos com hipertensão arterial sistêmica, em função do elevado número de benefícios à saúde relacionados com a atividade física e pelo baixo risco de morbidade e mortalidade. Em outras modalidades clínicas de hipertensão arterial sistêmica, a utilização de algum tipo de atividade física não fica excluída, desde que se individualiza e se avalie, adequadamente, o paciente e que o mesmo seja mantido clinicamente controlado.

O indivíduo com hipertensão leve a moderado deve ter a inclusão da atividade física na mudança do estilo de vida, e pode até mesmo ser liberado para a prática de esportes competitivos, desde que não tenha lesão de orgão-alvo ou cardiopatia associada. Os princípios gerais para a prescrição de exercícios são válidos para os portadores de hipertensão; entretanto, orientações específicas deverão ser seguidas para o programa de reabilitação: tipo de exercício; intensidade; duração; e frequência de treinamento.

É o elemento básico da prescrição do exercício e seu nível é determinado segundo o equilíbrio com o VO2e, consequentemente, com a frequência cardíaca. Segundo PASSARO & GODOY (1996), a intensidade pode ser expressa pelo nível de esforço percebido, considerando-se, para tanto, que o indivíduo deva estar em condições de conservar durante a realização do exercício; que a intensidade da carga seja baseada na frequência cardíaca de equilíbrio. Essa proporção é representada pela fórmula: FCt = FCr + X % (FC máx. – FCr), onde FCt = frequência cardíaca de treinamento/ FCr = frequência cardíaca de repouso; FC máx. = frequência cardíaca máxima (220 – idade); e X = intensidade leve, moderada ou alta.

A World Hypertension League preconiza 20 a 30 minutos, dependendo da intensidade e do tipo de exercício que referem incremento de 20% a 50% no risco de desenvolvimento de hipertensão arterial sistêmica em indivíduos normotensos sedentários e redução da pressão arterial sistólica em aproximadamente 10mmHg após a atividade aeróbia regular. Para HOLLAND (1976), o exercício deverá ser feito na maioria dos dias da semana, com uma duração igual ou superior a 40 minutos sem necessidade de ultrapassar a 60 minutos (se o objetivo vise apenas a redução da hipertensão arterial sistêmica), de forma continua e intermitente de curta duração. As atividades deverão envolver grandes grupamentos musculares, sendo predominantemente aeróbias.

De acordo com  LUNA (1989), a hipertensão pode manifestar-se de diferentes formas, em cada grupo especial. No idoso hipertenso trabalhamos a atividade física, de forma leve e gradual, pois são vários os aspectos que devemos nos preocupar, como a dose de medicação que é ministrada, a dislipidemia, diabetes, a hipertrofia ventricular esquerda, obesidade e tabagismo, que muito mais comuns nesse grupo e deve ser abordada em conjunto. A hipertensão arterial sistêmica na infância e adolescência são de origem secundárias, entre elas estão as doenças renais estruturais, inflamatórias ou parenquimatosas, a estenose arterial renal é a principal delas. Quanto mais velho maior a probabilidade de existência de hipertensão arterial sistêmica primária, que passa a ter maior importância a partir da adolescência.

 

Fonte: Portal Personal Trainer Virtual – www.personaltrainervirtual.com.br